Como os Líderes Enfrentam Seus Medos

 

As mudanças constantes na arena competitiva dos negócios fazem com que os lideres precisem enfrentar diferentes tipos de medo ao longo de suas carreiras.

Você já deve ter enfrentado alguns, como medo de perder um grande negócio ou cliente, de perder um membro de sua equipe que seja responsável por parte significativa dos resultados, medo de falir ou de perder o emprego.

 

Imagine que um de seus mais importantes clientes corporativos acaba de admitir um Diretor que passará  a manter contatos de negociação com sua empresa e que o seu Consultor Comercial não demonstra nenhum receio desta movimentação  e com isso não se ocupa em pesquisar sobre seu novo parceiro e nem em avaliar seu atendimento atual. Pra ele tudo está bem e seu otimismo o deixa tranquilo de que no final, tudo dará certo.

Por outro lado,  você deve ter tido experiência com alguém que, frente a frente com adversidades, não consegue controlar seus receios, permitindo que o medo tome o controle das situações. Em alguns casos, um medo desproporcional ao evento assume o papel principal dos acontecimentos.

Medo Como Seu Defensor

Felizmente, diferentemente destes dois casos, a maioria da humanidade tem seus sentimentos de medo de uma maneira controlada. O homem não é a espécie mais forte sobre a Terra, nem a mais ágil, mas podemos nos orgulhar do fato de sermos os mais medrosos. Caso contrário é possível que não tivéssemos conseguido chegar aos dias de hoje.

António Damásio, que é um dos mais importantes neurocientistas do mundo, autor de best-sellers como O Erro de Descartes, sobre o papel fundamental das emoções, define medo como uma emoção fabricada pelo cérebro, que provoca mudanças no corpo todo, deixando-nos mais alertas, fortes e cuidadosos – prontos para lutar ou fugir.

A amígdala cerebral é uma espécie de sentinela de plantão, responsável por prever os perigos e enviar este sentimento de medo e ansiedade. Sem isso, não teríamos simples receios e cuidados ao atravessar uma rua como também não seríamos alertados para prestar atenção ao novo Diretor que assumiu  a função no nosso maior cliente.

Mas às vezes a amígdala erra. A Organização Mundial da Saúde calcula que pelo menos 15% dos seres humanos têm medo demais. Estão incluídos aí desde fóbicos incapazes de entrar em avião até os pacientes que enfrentam a terrível síndrome do pânico.

Estamos sempre de sentinela!

 Muitas das valiosas ações que empreendemos no dia a dia das empresas são frutos de medos: de perder market share, faturamento ou lucro. Receio de perder tempo ao lançar um novo produto e principalmente, de perder espaço para a concorrência.

O fato de sentir medo da concorrência, por exemplo, é o que faz muitos levantarem mais cedo e buscarem melhorar a cada dia, em cada detalhe, para manter seus negócios rentáveis e cumprindo a missão que foi estabelecida. Frequentemente o medo move os lideres a provocarem mudanças para adequarem as empresas em direção aos objetivos.

3 Motivos que nos Levam a Ter Medo

1-    Fracasso

Num jogo, quando uma criança erra, ela aprende. No caso do adulto, ele considera que fracassou. Por isso não é raro assistir a um jogo em que nota-se a seriedade e stress do adulto e a alegria e até mesmo a desatenção da criança.

Lidar com as cobranças, os objetivos e com as consequências dos erros e acertos pode ser útil para ensinar ou não a conviver com a realidade de que nem tudo acontece da forma como pretendemos e que nem por isso devemos encarar como fracasso.

Em pesquisa, cada tentativa testada e reprovada é comemorada, pois significará que a cura estará mais próxima de ser descoberta.

Nas empresas também devemos aprender com os erros, fazendo um aprendizado com tudo o que for experimentado.

2-    Rejeição

“Talvez um dos piores sentimentos que o ser humano possa experimentar seja a rejeição. Por isso o medo de não ser reconhecido, de não ser aprovado, de não ser querido.  Mas pior do que o sentimento de rejeição, é não conseguirmos ser o melhor que podemos ser.”

Parte deste sentimento vem de busca de controle, autoafirmação e poder. Todos estes são sentimentos que fazem com que percamos tempo olhando para o umbigo. Quanto mais tempo investir em observar o bem que pode fazer, para você mesmo e para outros, mais irá se ocupar em buscar fazer e ser alguém melhor a cada dia. Nos projetos em que se envolve, nas reuniões em que participa, nos relacionamentos que estabelece.

Isto significa que o primeiro a aceita-lo precisará ser você mesmo.

3-    Desconhecido

O maior medo quanto às constantes mudanças que ocorrem nas organizações é de perda de controle. Parece que quando tudo vai “entrar nos eixos” vem mais uma noticia, mais uma novidade para mudar os planos e fazer com que tenhamos que refazer nossa estrutura de pensamento e os planos.

O fato é: as mudanças continuarão a acontecer e o prognóstico é que aumentem em desafio e velocidade. Então, talvez o foco não seja tentar manter o controle sobre o que acontece no exterior, e sim manter seu autocontrole. Só assim é que será possível lidar com os fatores externos com mais moderação.

Medo Como Ameaça

O medo crônico causa inibição e até imobilização, muitas vezes o fazendo parar frente ao que é necessário realizar.

Um nível acima é o medo desproporcional, que é excessivo, causando elevada ansiedade e em alguns casos pânico.

 

3 Passos para Você Superar o Medo

#1- Identifique Seu Verdadeiro Medo

Se estiver ansioso antes de fazer uma apresentação importante para a Diretoria, localize exatamente o que está te gerando este sentimento. Está com medo de que não gostem de você ou de não conseguir apresentar o conteúdo que precisa?

Isso fará com que racionalize o sentimento e na maioria das vezes poderá perceber que estava mais preocupado do que seria necessário, fazendo com que o medo torne-se menor ou mais administrável.

#2- Imagine o Pior que Possa Acontecer

Mas desenhe o pior cenário e comece a imaginar o que seriam as consequências deste pior cenário.

Pode acontecer (e isso é uma rotina), que o pior que pensou não é tão ruim a ponto de fazê-lo estar com um nível de medo tão desproporcional.

#3- Prepare-se, ganhe segurança e aja.

O antídoto ao medo é a fé de que conseguirá realizar algo, reverter a situação ou ter sucesso em um desafio específico.

Portanto, se conseguiu localizar especificamente a razão de seu medo e imaginar o pior cenário normalmente possível num caso como o que está vivendo, faça um plano de ação para movimentar-se de onde se encontra.

Uma coisa que poderá ajudar nestes momentos é pensar em pessoas que passaram por problemas parecidos e que sobreviveram e até prosperaram. Empresas que chegaram quase ao fundo do poço e que deram a volta por cima, como é o caso das Havaianas, da Xerox e da IBM.

Se mesmo assim, depois deste exercício você ainda sentir-se com um pouco de receio, vá assim mesmo. Pois o fato de ter racionalizado o sentimento o deixará mais tranquilo ao longo dos acontecimentos.

 

Um grande abraço!

Sobre PAULO ROBERTO DE SOUZA

"Master Coach Executivo. Autor do livro “A Nova Visão do Coaching na Gestão por Competências. Trainer em desenvolvimento pessoal e Formador de Coaches. Fundador da You Can Be Coaching e Gestão Corporativa em 1992."